ACM Neto foi derrotado novamente na disputa pelo Governo da Bahia. Neste domingo (4), Jerônimo Rodrigues (PT) foi reeleito governador, repetindo o resultado de 2022, quando também venceu Neto no segundo turno. Em 2026, Jerônimo terminou a disputa com 55,80% dos votos válidos, contra 43,72% de ACM Neto.
Após a derrota, Neto afirmou que pretende continuar atuando na política e declarou que seguirá “na luta”. Também informou que viajaria a Brasília nesta segunda-feira (5) e que se reuniria com integrantes do União Brasil para discutir o posicionamento do partido no segundo turno presidencial.
Até o momento, porém, Neto não anunciou apoio a nenhum dos dois candidatos que disputarão a Presidência da República: Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
E é justamente nesse ponto que surge uma discussão política que merece ser feita.
A liberdade de votar não está em discussão
Cada eleitor tem o direito de escolher livremente seu candidato. Da mesma forma, um político também pode decidir não declarar voto. Isso faz parte da democracia.
Mas, para muitos eleitores, posicionamento político também é uma questão de identidade e coerência.
Em 2022, ACM Neto adotou estratégia semelhante. Durante o segundo turno daquele ano, ele não declarou apoio a Lula ou Jair Bolsonaro. A imprensa registrou, na época, que Neto manteve a neutralidade diante da disputa presidencial.
Quatro anos depois, a situação volta a se repetir.
A diferença é que agora o segundo turno presidencial coloca frente a frente Lula e Flávio Bolsonaro, e ACM Neto novamente deixa para depois uma definição que parte do eleitorado esperava ouvir.
A pergunta que fica para a política baiana é simples: até que ponto a tentativa de permanecer entre os dois lados ajuda ou dificulta a construção de uma identidade política clara?
Neto continua sendo uma liderança importante na Bahia e afirmou que pretende permanecer ativo na política. Mas sua segunda derrota consecutiva para Jerônimo Rodrigues também abre espaço para uma avaliação sobre a estratégia adotada nas duas eleições.
O eleitor é livre para escolher. O político também é livre para se posicionar — ou não se posicionar. Mas, em uma eleição cada vez mais marcada pela polarização nacional, o silêncio também passa a ser interpretado politicamente.
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